quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Estação 4-5

Certo dia usaram a palavra 'inquieto' para me definir, e foi onde tudo começou.

De súbito, foi algo que concordei no ambiente formal que encontrávamos, mas era uma palavra Inédita. Nunca havia utilizado tal termo para o contexto. Nosso vocabulário aparenta se restringir nesse momentos descritivos. Cai e soa tão bem.

In.qui.e.to - 1. Que não está quieto. 2. Agitado, oscilante. 3. Que nunca pára. 4. Apreensivo. 5. Perturbado. 6. Turbulento
Nunca parar, apresentar-se agitado e turbulento não são as melhores variações dos sinônimos para mim nessa época do ano. Natal, Ano novo e suas vésperas são sim datas bastante conturbadas, mas as demais, incluindo o interminável mês de janeiro, não.

Ao menos que você trabalhe, estude numa universidade federal ou viaje, seus dias exigirão muito de sua criatividade para não ficar entediado. Os listados terão muitas outras coisas para fazer, inclusive a tradicional celebração da chegada do final de semana. É um trabalho temporário de reinvenção, de procurar soluções para o dia-a-dia, e fazer novos interesses. Se treinada, nobre oportunidade.

Ainda assim, é difícil ser inquieto nas férias, ou diria no desemprego? É muito tempo para se ter pressa ou dia longos demais para não quietar e por a agitação em modo off. Turbulência em condições propícias ao não dinamismo?  Férias é Stop; é parada obrigatória! Pensando sinceramente sobre ela, tal menina só não me descaracteriza por possibilitar o estado 4, 5 da palavra. Uma variação no significado do ser, como uma estação pessoal que chegou junto com o verão.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

zum

Em pé e exposto, o tempo brinca
o suspiro primeiro se estende no instante
- eis chegado.

O início e o fim de mãos dadas,
com um durante míope, centrado e
purificador

Um compartilhar do voo temporal
em ritmo, 
em som,
em vida.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cigarro

A derrota é mais um tipo cigarro!

O gosto da derrota é o que deixa o sorriso amarelo!

Trêmulo, Ele brinca de espantar a cara de insatisfação e serve de resposta a compaixão dos outros, à empatia momentânea. Uma expressão sincera da insinceridade dos nossos sentimentos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Zarolho

Tenho uma paixão por boas ideias.

É um sentimento que estende para um sentido mais amplo da palavra. É a intenção, noção, invenção. Dada  como imagem, plano, projeto, conceito. Ideias são produtos do meu verbo favorito, o criar. Por mais que a tecnologia se desenvolva, dificilmente conseguirão reproduzir a complexidade do cérebro humano, consequentemente, seu processo criativo.

A racionalidade pode ser treinada. Intensa programação de algoritmos aparentemente pode solucionar muitos problemas. Tomada de decisões baseadas em dados estatísticos e probabilísticos, cálculos espaciais com precisão e procedimentos de segurança seguidos a risca. São atividades de campo lógico, matemático, numérico ou espacial para que a reprodução é direcionada.

O sorriso bobo é zarolho

A complexidade da criação é genuína e é fundamentalmente atrelada ao indivíduo. É o que nos torna tão únicos. A criatividade não tem lugar para aflorar. Elas se transformam em música, imagem e texto. Ar condicionado, laptops e microondas. Da alavanca, cunha e roda à complexos arquitetônicos. São as maravilhas do mundo, antigas e modernas, as sete artes de mãos dadas. Boas ideias nos dão bom dia à boa noite, no entanto muitas vezes passam despercebidas.

Estampo no canto da boca um sorriso bobo ao me deparar com algo envolvente. É uma reação involuntária provocada por  um sentimento íntimo de alegria, satisfação ou prazer. O momento em que a produção lhe fez algum sentindo e se torna possível não só olhar para ela, mas através dela. É uma estampa sincera, que de forma acanhada, estende a mão para cumprimentar sua justificativa.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um Mito 2.0

Azul, está tudo azul!

Essa é minha nova foto de profile no facebook. É mais animada do que o preto que corre pela capa do meu timeline quando à essa comparada. Toda essa iniciativa tem uma razão, maior que a escolha do azul como a cor, (ou do preto).

O mundo digital funciona como uma extensão das nossas vidas, uma experiência no plano digital. Certamente, existem níveis de submersão neste plano e suas implicações (mais detalhes em Submersão). A possibilidade de um universo de informações e a transmissão quase que instantemente são grandes benefícios desse mundo.

A aproximação de pessoas também é facilitada com o mundo digital. Não importa a distância ou fuso horário, a restrição para uma boa aproximação é dada em Kbs ou pela disponibilidade de Wi-fi. Todos estão nessa extensão do que chamamos de vida real. Uns se apresentam com foto 3x4, outros com fotos de book profissional, muitos com copos e canecas, outros sorrindo e pagando biquinho. Há aqueles que usam perfis falsos e por essa análise, serão tão verdadeiros quanto os demais.

Por uma releitura de Platão e adaptando seu pensamento para a vida2.0, diria que a verdade não está no plano digital. Cada perfil é meticulosamente processado pelo o usuário com a finalidade de alcançar suas metas. Parecer mais atraente, culto ou conseguir um bom emprego são alguns exemplos.

A verdade moraria então no plano das ideias, no mundo do intangível, que nesse caso já tivemos a oportunidade de espiá-lo por se tratar do plano real, aquele que vivemos fora do mundo digital. O que encontramos nesse plano digital são distorções do que é realmente a verdade. Dessa forma, um azul ou preto em uma foto de profile é tão verdadeiro quanto um perfil fake ou uma foto do usuário meticulosamente selecionada para tal função. 

No momento em que deixamos de interagir com as sombras, no momento que deixamos a submersão, encontramos o plano da verdade. A internet assim se firma como a nova caverna de Platão!